
Por Tainá Figuerôa
Segundo a jornalista ambiental Regina Scharf, Cuba se diferenciou dos demais países comunistas no que diz respeito à ecologia. No final dos anos 80 era fácil notar que o comunismo não havia sido gentil com o meio ambiente. De Berlim Oriental ao Estreito de Bering, as cidades tinham o ar rarefeito pelo dióxido de enxofre, rios contaminados, pouquíssimos aterros sanitários ou sistemas de tratamento de esgotos. Além de desastres como o de Chernobil, maior acidente nuclear já registrado, e a redução do Mar de Aral à metade, devido à excessiva drenagem dos seus dois rios tributários.
“Há vários indícios de que Cuba tem um nível de sustentabilidade muito melhor do que a de seus pares”, explica Renata. Segundo a edição de 2006 do Living Planet Report, publicação do WWF, a Ilha é o único país do mundo que oferece, simultaneamente, um Índice de Desenvolvimento Humano decente e uma situação ecológica moderada. Cuba possui indicadores razoáveis de longevidade, alfabetização e PIB per capita, além de exercer uma pressão comparativamente pequena sobre os recursos naturais.
Segundo o relatório que o governo comunicou as Nações Unidas, cada cubano precisa de 1,5 hectare para atender suas necessidades de consumo e para diluir os resíduos que produz. A média mundial é 2,2 -acima do limite de 1,8 oferecido pelo planeta.
Scharf ressalta que esse desempenho tem algumas explicações claras: as dificuldades econômicas, o embargo americano e a proposta comunista impuseram aos cubanos um padrão de consumo mínimo. Fidel pregou esse modelo durante a Eco-92. “Se uns poucos países tivessem menos luxo e desperdício, a maior parte da Terra seria menos pobre e faminta”, discursou o Comandante. “Estilos de vida e de consumo que arruínam o meio ambiente não devem mais ser transplantados para o Terceiro Mundo.” Naquela época, os cubanos enfrentavam uma grande crise, devido à queda do regime soviético. Quando a União Soviética desapareceu, a Ilha perdeu 40% de sua economia e a sua segurança alimentar simplesmente naufragou.
Em suas pesquisas a jornalista concluiu que:
-
Dados da ONU indicam que o cubano médio viu sua dieta minguar de 3.000 para menos de 1.900 calorias diárias nessa fase.
-
Em pouco tempo, os gatos de Havana desapareceram, transformados em almoço.
-
Uma reportagem publicada pelo The New York Times no auge da crise, em 1993, fala de escolas que substituíram o leite da merenda por água açucarada, de tratores abandonados por falta de diesel, de cartões de racionamento. O título – “Os últimos dias da Cuba de Castro” – apostava que o regime cairia em pouco tempo.
Fidel, como se sabe, não caiu. Este fato se deve, em parte, à proliferação de hortas urbanas e à redescoberta de técnicas de cultivo que dispensavam agrotóxicos e maquinário sofisticado. “Num espaço de apenas uma década, a agricultura cubana sofreu uma revolução, tornando-se virtualmente orgânica. Quintais, terrenos baldios e estacionamentos foram tomados por pomares, hortas e galinheiros. Donas de casa, engenheiros e médicos pegaram em enxadas e aprenderam a semear”, afirma em sua matéria.
O caos obrigou o país a reduzir a pressão exercida sobre o meio ambiente na marra. O número de carros per capita até hoje é baixo já que Cuba não tinha acesso fácil a combustível, Fidel importou 1 milhão de bicicletas, que se adaptaram bem ao cotidiano dos cubanos.
Fonte: Regina Scharf – Jornalista especializada em meio ambiente
Para Vito Quevedo, diretor de Tecnologia e Meio Ambiente do governo cubano em 2002, A política cubana está baseada no desempenho de um sistema de ciência e inovação tecnológica, com prioridades definidas a partir das necessidades do desenvolvimento socioeconômico da nação. “Esse sistema, por um lado, impulsiona o desenvolvimento da pesquisa científica para obter novos conhecimentos e, de outra parte, desenvolve os mecanismos para que este conhecimento possa converter-se em valores para a sociedade, a economia e o meio ambiente”.
http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/dezembro2002/unihoje_ju202pag4a.html
CUBA É RECONHECIDA PELO PROGRAMA DE AVALIAÇAO AMBIENTAL
Agora em maio deste ano Cuba foi certificada pela Organização Mundial de Propriedade industrial (OMPI) com etiqueta ambiental e é a terceira ilha da A mérica Latina que conta com um programa deste tipo.
Esta legalização faz com que os produtos da ilha se destaquem no mercado internacional já que as empresas que os oferecem possuem uma imagem ecológica positiva.
O país estimula o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis, com mínimo de efeito negativo sobre o meio ambiente, metas importantes para a batalha global de proteção a natureza.
http://www.granma.cu/espanol/2008/mayo/mar6/ambiental.html